Diretor de contraterrorismo americano renuncia ao cargo e diz que Irã não representava ameaça iminente aos Estados Unidos
Chefe de combate ao terrorismo pede demissão e diz que Irã não era uma ameaça aos EUA Dentro de casa, Donald Trump teve uma baixa no governo. O diretor da p...
Chefe de combate ao terrorismo pede demissão e diz que Irã não era uma ameaça aos EUA Dentro de casa, Donald Trump teve uma baixa no governo. O diretor da principal agência de combate ao terrorismo renunciou ao cargo. Ele criticou a decisão dos Estados Unidos de ir à guerra e expôs a divisão no Partido Republicano - isso em um ano de eleição. Joe Kent, do Partido Republicano, do presidente Donald Trump, publicou em uma rede social a carta de demissão: “Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra no Irã. O Irã não era uma ameaça iminente à nossa nação, e ficou claro que começamos esta guerra por pressão de Israel e de seu poderoso lobby nos Estados Unidos”, escreveu. Kent também comparou a ofensiva com a guerra do Iraque, em 2003, que chamou de desastrosa. Disse que é um veterano do Exército, enviado a onze missões fora do país – entre elas, o Iraque – e que perdeu a mulher em combates na Síria, em 2019. Donald Trump nomeou Joe Kent para o cargo de diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo no começo do mandato, há um ano. O Senado aprovou a nomeação em julho só com votos republicanos. Naquela época, a imprensa americana já citava que Kent apoiava teorias da conspiração, era ligado a associações de supremacia branca e extrema-direita, e um representante ferrenho dos apoiadores de Trump do grupo MAGA, que significa “Faça a América Grande Novamente”. A vertente é contra o envolvimento americano em conflitos externos. Mesmo com as críticas de parte da base mais radical de Trump à guerra contra o Irã, até agora não havia uma dissidência pública dentro do governo americano. Isso mudou nesta terça-feira (17), com a saída abrupta do diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo. Diretor de contraterrorismo americano renuncia ao cargo e diz que Irã não representava ameaça iminente aos Estados Unidos Jornal Nacional/ Reprodução A carta de Joe Kent alimentou as críticas da oposição. O senador democrata Mark Warner, do Comitê de Inteligência, disse que o histórico de Kent era preocupante e que nunca deveria ter sido aprovado para o cargo. Mas que concorda em parte com o que ele disse. A porta-voz da Casa, Karoline Leavitt, disse que a carta traz muitas afirmações falsas. Segundo a porta-voz, Trump tinha evidências fortes e convincentes de que o Irã iria atacar os Estados Unidos primeiro e chamou de “insultante e risível” a alegação de que Trump tenha tomado a decisão por influência de outros países. Dezessete dias antes de Israel e os Estados Unidos atacarem o Irã, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu visitou a Casa Branca. Netanyahu afirma há anos que o Irã representa uma ameaça existencial aos israelenses por pregar a destruição de Israel. Trump sempre negou ter sido pressionado a iniciar a guerra e afirma que a decisão foi dos Estados Unidos. Questionado nesta terça-feira (17) sobre o pedido de demissão de Kent, Donald Trump disse: “Sempre achei que ele fosse fraco em segurança. É bom que ele esteja fora, porque ele disse que o Irã não representava uma ameaça. O Irã era, sim, uma ameaça”. LEIA TAMBÉM Diretor de Centro de Contraterrorismo dos EUA renuncia: 'Não posso apoiar a guerra em curso no Irã' 'Esta guerra não é nossa': a divisão na base de Trump após decisão de atacar o Irã