Após Tarcísio dizer que Fapesp iria rever mudanças, fundação recua parcialmente em bolsas no exterior
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) recuou parcialmente das mudanças anunciadas na semana passada para bolsas de pesquisa no ex...
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) recuou parcialmente das mudanças anunciadas na semana passada para bolsas de pesquisa no exterior e voltou a prever o benefício para estudantes de iniciação científica e mestrado. Os dois grupos, porém, continuarão fora do sistema de fluxo contínuo e passarão a depender de chamadas específicas. O recuo ocorre após o governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmar, na sexta-feira (28), que a fundação iria revê-las. "A gente faz o repasse de recursos para a Fapesp, agora a Fapesp tem autonomia, não sou eu que revejo nada, quem tomou essa decisão de mexer nas bolsas de iniciação científica e nas bolsas de mestrado foi a própria Fapesp, não fomos nós, a gente não tem gerência sobre isso. O que a gente fez quando ficou sabendo, entramos em contato com a Fapesp, olha isso não faz sentido, vocês estão com bastante dinheiro em caixa, estão com os repasses integrais, está tudo funcionando direitinho, por que fazer esse movimento? E a Fapesp vai rever". Tarcísio nega cortes na Fapesp após mudanças em regras de bolsas As novas normas da Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE), anunciadas em 26 de agosto, haviam retirado iniciação científica e mestrado das modalidades contempladas. O regulamento, que entrou em vigor nesta terça-feira (1º), passou a prever o benefício apenas para bolsistas de doutorado direto, doutorado e pós-doutorado. No novo comunicado, publicado na segunda-feira (1º), a Fapesp informou, porém, que alunos de iniciação científica e mestrado também poderão pleitear bolsas no exterior, mas por meio de chamadas específicas. Quem teve a bolsa de iniciação científica ou mestrado aprovada até 31 de agosto poderá disputar uma chamada que será anunciada no fim de setembro. Para as bolsas de IC e mestrado concedidas a partir de 1º de setembro, haverá uma nova chamada no primeiro semestre de 2027. A possibilidade não aparecia nas novas normas anunciadas em agosto. Apesar do recuo, a Fapesp não retomou integralmente o modelo anterior: IC e mestrado continuam fora do fluxo contínuo, pelo qual a proposta pode ser apresentada em qualquer época do ano. A fundação também manteve a redução de até 12 para seis meses no período inicial das bolsas no exterior para doutorado direto, doutorado e pós-doutorado. O pesquisador poderá pedir uma prorrogação por outros seis meses, mas o período adicional dependerá de justificativa e nova análise da Fapesp. Entenda o vaivém das bolsas ➡️ Iniciação científica Como era: estudantes com bolsa de iniciação científica da Fapesp podiam solicitar a BEPE pelo sistema de fluxo contínuo, em qualquer época do ano. O estágio no exterior podia durar até quatro meses. O que mudou: nas novas normas anunciadas em agosto, a iniciação científica deixou de constar entre as modalidades da BEPE. O regulamento passou a listar apenas doutorado direto, doutorado e pós-doutorado. Como ficou após o recuo parcial: estudantes de IC voltam a ter a possibilidade de receber a BEPE, mas não pelo fluxo contínuo. Quem teve a bolsa no país aprovada até 31 de agosto poderá participar de uma chamada que será anunciada no fim de setembro. Para bolsas concedidas a partir de 1º de setembro, haverá outra chamada no primeiro semestre de 2027. ➡️ Mestrado Como era: bolsistas de mestrado podiam solicitar a BEPE a qualquer momento, pelo fluxo contínuo. O estágio no exterior podia durar até seis meses. O que mudou: assim como a iniciação científica, o mestrado deixou de aparecer entre as modalidades contempladas pelas novas normas da BEPE. Como ficou após o recuo parcial: mestrandos voltam a poder disputar a bolsa, mas apenas por chamadas específicas. As datas seguem o mesmo calendário da iniciação científica: uma chamada no fim de setembro para bolsas no país aprovadas até 31 de agosto e outra no primeiro semestre de 2027 para as concedidas a partir de 1º de setembro. ➡️ Doutorado direto, doutorado e pós-doutorado Como era: os pesquisadores podiam solicitar a BEPE por fluxo contínuo e o estágio no exterior podia durar até 12 meses. O que mudou: a solicitação inicial passou a ser limitada a seis meses. O pesquisador pode pedir mais seis meses, mas a prorrogação é considerada excepcional e depende de justificativa e nova análise da Fapesp. Como ficou após o recuo parcial: não houve mudança nesse ponto. Doutorado direto e doutorado continuam no fluxo contínuo, mas com concessão inicial de seis meses e possibilidade de prorrogação por outros seis. Fapesp cita aumento dos gastos com bolsas No novo comunicado, a Fapesp também apresentou uma justificativa orçamentária para as mudanças. Segundo a fundação, os gastos com bolsas chegaram a 58% de seu orçamento em junho deste ano, ante uma média histórica de 35%. Segundo a fundação, entre 2023 e 2025, o número de bolsas contratadas cresceu 73%, de 7.610 para 13.180, enquanto o número de auxílios contratados para projetos de pesquisa aumentou 3,7%, de 2.656 para 2.754. No mesmo período, as bolsas no exterior cresceram 52%, de 1.242 para 1.889. A Fapesp alegou que a manutenção desse ritmo poderia comprometer a saúde orçamentária da fundação e limitar sua capacidade de financiar projetos de pesquisa científica e tecnológica. A instituição afirmou que o aumento da demanda decorre principalmente dos valores competitivos de suas bolsas e da redução da participação de agências federais no financiamento de pesquisadores em São Paulo. Ao mesmo tempo, a própria Fapesp informou que os repasses do Tesouro estadual para seu orçamento aumentaram 64% entre 2020 e 2025. Segundo a fundação, o Conselho Superior determinou que o Conselho Técnico-Administrativo adotasse medidas para preservar o equilíbrio entre os gastos com bolsas e os auxílios destinados a projetos de pesquisa. A Fapesp afirmou que não houve corte no número de bolsas BEPE, mas “alterações nos critérios de elegibilidade e na duração”. Segundo a fundação, as mudanças têm como base o entendimento de que o apoio a estágios no exterior deve privilegiar pesquisadores em estágios mais avançados da formação acadêmica e científica.